Patricia Lobaccaro,CEO da Brazil Foundation, fala sobre futuro e perspectivas para o Brasil.

25 mai 2015 0 0

Daqui a pouco, a BrazilFoundation realiza mais uma edição do seu gala paulistano, com vistas para a arrecadação de fundos para os projetos que atende em todo o Brasil, em boa parte iniciativas de empreendedores sociais que executam com grande esforço melhorias sociais de grande impacto em suas comunidades. “Brasileiros que moram no Brasil são os mais difíceis de engajar”, segundo a CEO da BrazilFoundation, Patricia Lobaccaro.Brasileiros que moram no exterior são o nosso principal público financiador, mas também empresas estrangeiras que têm interesse pelo Brasil, empresas brasileiras com operações nos Estados Unidos”, ela conta, em entrevista exclusiva para RG. A alta do dólar ajuda. Foram 5.6 milhões de reais investidos em 101 organizações, só no ano passado”, nos conta Lobaccaro, que em conversa exclusiva com nosso diretor, Jeff Ares, fala de perspectivas de futuro, do otimismo que enxerga nas periferias e do que espera para o Brasil: “O brasileiro precisa ser menos espectador e mais protagonista”.

Patricia Lobaccaro  (CEO da Brazil Foundation) - foto reprodução

Patricia Lobaccaro (CEO da Brazil Foundation) – foto reprodução

 

Jeff Ares: O Brasil anda pessimista. Você é otimista em relação ao Brasil?

Patricia Lobaccaro: O Brasil está passando por desafios, mas o que eu vejo pelas comunidades e periferias por onde passo não é apenas otimismo, mas transformações reais acontecendo. Inovação, criatividade,compartilhamento de recursos, solidariedade, e um maior nível de amadurecimento e participação na sociedade em geral.

 

JA: Qual o grande objetivo da BrazilFoundation? Como alcançá-lo, e quando vocês pretendem alcançá-lo?

PL: Nossa causa é o Brasil, e acreditamos no poder transformador da sociedade civil. Nosso papel é fortalecer essas iniciativas, através de apoio financeiro, técnico, mentorias e criação de redes. Estamos neste momento tentando criar um ecossistema de maior colaboração no Brasil. Como temos abrangência nacional, e também um escopo programático muito amplo, temos uma visão holística do setor social no país inteiro. Estamos tentando criar um movimento de maior colaboração entre organizações financiadoras, de co-investir, de trocar informações, e pensar o investimento no setor social de forma menos fragmentada. Por outro lado também estamos ativamente incentivando colaboração e troca de metodologia entre as organizações que apoiamos, financiando intercâmbios e compartilhamento de metodologias.

 

JA: Vocês têm algum respaldo governamental?

PL: Não, e por opção. Preferimos nos manter como organização neutra e isenta. No entanto, estimulamos as organizações que apoiamos a se articularem com as várias esferas governamentais, e um dos critérios de seleção e avaliação dos projetos que financiamos é justamente a incidência em políticas públicas.

 

JA: O que mudou desde o início do seu trabalho na BrazilFoundation?

PL: Estamos nos tornando uma organização mais global.

 

JA: Qual seu maior argumento para os financiadores?

PL: Que fazemos um acompanhamento muito próximo dos projetos apoiados. Que nunca financiamos uma organização sem visitar pessoalmente e conhecer a liderança, que além do apoio financeiro oferecemos apoio técnico e redes de apoio que têm a capacidade de alavancar as iniciativas apoiadas, e que fazemos um controle rigoroso do investimento através de monitoramento e avaliação.

 

JA: Quem financia mais? Estrangeiros ou brasileiros?

PL: Brasileiros que moram no exterior são o nosso principal público financiador, mas também empresas estrangeiras que têm interesse pelo Brasil, empresas brasileiras com operações nos Estados Unidos, e estamos tentando mobilizar recursos com os brasileiros que moram no Brasil. Este é o público mais difícil.

 

JA: Você recebe muitas negativas?

PL: Sim, sempre. Mas muitas positivas também. E é com estas que estamos construindo um Brasil melhor.

 

JA: Neste ano de crise, você sente uma retração nas doações e apoios ao gala? Como lidar com esse cenário?

PL: No Brasil, sem dúvida houve uma enorme retração. Porem o dólar subiu, então os recursos que mobilizamos no exterior estão valendo muito mais, de modo que mesmo tendo arrecadado menos recursos em dólar do que no ano anterior, pudemos apoiar um número recorde de projetos em 2014. Foram 5.6 milhões de reaisinvestidos em 101 organizações, só no ano passado.

 

JA: Que novos projetos apoiados por vocês te surpreenderam?

PL: São tantos!!!! E eles são a maior inspiração para nosso trabalho. Me surpreendo muito com as startups e as organizações pequenas, e me orgulho em ver como o apoio da BrazilFoundation tem o poder de alavancar essas iniciativas que estão em estágios iniciais, tanto através dos recursos financeiros aportados, mas também através da credibilidade, visibilidade, capacitação, mentorias e redes de apoio. Um exemplo é aCasa do Rioem Tupana, que em menos de um ano construiu uma escola, inaugurou um centro de artesanato, elaborou uma nova coleção de produtos com curadoria de uma importante produtora de moda de São Paulo e já esta comercializando nas feiras locais. Outro exemplo é aUniversidade da Correria, que incubou cerca de 90 negócios desde o primeiro apoio da BrazilFoundation, está articulando outras parcerias, teve enorme crescimento em visibilidade. A Associação dos Moradores de Mandassaia, em Riachão do Jacuipe, construiu uma nova sede, a AMINA no Mato Grosso do Sul está inaugurando uma fábrica de doces que vai gerar renda para as mulheres; o IFC em Brasília, que realiza controle social do sistema público de saúde, ganhou um importante prêmio… entre tantos outros.

 

JA: Depois do apoio inicial, qual o suporte que vocês dão aos projetos embrionários?

PL: Estamos tentando estabelecer parcerias de maior duração com as organizações, pois não é possível ver transformação social sistêmica num período de um ano. Uma importante parceria neste sentido foi uma joint-venture social que fizemos com a BVSA, plataforma de investimento social da BM&FBOVESPA. A partir desta parceira 20 organizações por ano terão um segundo ano de financiamento através desta palataforma, e a BrazilFoudnation continua o processo de monitoramento e mentoria neste segundo ano também. Estamos buscando outros parceiros para co-investir em iniciativas que demonstraram bons resultados.

 

JA: Você visita os projetos? 

PL: Sim. Consigo visitar uns 15 por ano e considero essa a melhor parte do meu trabalho. Percorrer o Brasil e conhecer comunidades e lideres nos lugares mais remotos e inusitados, um Brasil que o brasileiro infelizmente não conhece. Estamos tentando organizar visitas e levar nosso público de apoiadores e voluntários para que conheçam também este outro lado, tão rico, do Brasil.

 

JA: O que espera deste gala em São Paulo?

PL: Espero apresentar para o público de doadores alguns dos nossos projetos – teremos 6 representados no evento. Celebrar a nova geração de líderes que estão transformando o Brasil, e mobilizar apoio para apoiar mais projetos através do leilão e doações.

 

JA: Já sabe que vestido vai usar?

PL: Vou usar um vestido vintage, garimpado em um brechó.

 

JA: Quantos projetos serão apoiados em 2015-2016 e qual valor receberão?

PL: Estamos anunciando o apoio a 45 organizações, que receberão apoio entre 20 e 80 mil reais. Mas ao longo do ano realizamos outros apoios através de um Fundo de Oportunidades e também doações dirigidas a projetos específicos, de modo que o número de organizações apoiadas por ano gira em torno de 100.

 

JA: Qual o valor arrecadado no último gala da BrazilFoundation em SP? E qual a expectativa para este ano?

PL: No ano passado arrecadamos 1.2 milhões de reais, já livres das despesas. Esperamos arrecadar 1 milhãoeste ano.

 

JA: Qual gala é mais rentável? O de São Paulo, o de NY ou o de Miami?

PL: Atualmente com o dólar a 3 reais, os galas realizados fora do Brasil são mais rentáveis, em função da conversão.

 

JA: Quais os próximos eventos programados para este ano?

PL: O Gala de Nova York será dia 17 de setembro, e comemora o aniversário de 15 anos da BrazilFoundation. Faremos também um jantar em Belo Horizonte em outubro, em parceria com a Goldman Sachs; um jantar em Miami no final de julho;  uma serie de Happy Hours promovidos pelo nosso grupo de Young Fellows, a alguns evento organizados através da nossa campanha Women for Women.

 

JA: O que as pessoas podem fazer para ajudar, além de doar?

PL: Podem ajudar como voluntários, doando seus talentos, ajudar com suas redes, apadrinhar projetos. Existem muitas formas de participar.

 

JA: Você tem alguma mensagem para os brasileiros?

PL: Espero parem de olhar pra tudo o que está errado no Brasil, e passem a enxergar tudo o que está certo. Existe uma enorme quantidade de talento e criatividade nesse nosso país, e que precisam ser canalizados de uma forma mais propositiva. O brasileiro precisa ser menos espectador e mais protagonista.

 

Por Jeff Ares.

fonte: www.siterg.terra.com.br

Ainda não há comentários.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *