Andre Midani, a música agradece sua existência (nós também!)

15 mar 2015 0 0
Foto: internet

André Midani “o” cara da produção musical  / Foto: internet

Se não existisse, André Midani não podia ser inventado. Seria inverossímil demais. Sua vida é feita de acasos improváveis. Vocês conhecem alguém que se encontrava na Normandia em 1945, durante o desembarque das tropas aliadas no famoso “Dia D”? Pois André estava lá, como muito depois estava no Rio ajudando a criar a Bossa Nova. Ou mais tarde nos EUA como um dos mais poderosos executivos da Time-Warner. Tinha razão aquela policial mexicana quando examinou os documentos dele, e soltou: “Uma pessoa nascida na Síria, com passaporte brasileiro, que mora em Nova York, vem de Medelím e passa pelo México, que diz trabalhar com música, e que fala espanhol com sotaque francês, não pode ser uma pessoa confiável!”
Glauber Rocha também não se conformava. Chegou a escrever um artigo cujo título dizia tudo: “André Midani, o agente secreto da CIA”. Para o cineasta, aquele gringo que comandava a produção musical no Brasil só podia ser um elemento do imperialismo americano infiltrado no nosso show-bizz. Fazia sentido, porque o suspeito estava realizando uma revolução na nossa indústria do disco. A gravadora que ele dirigia aqui havia tomado conta do mercado.
Por outro lado, a ditadura mantinha sob vigilância esse possível agente de Moscou _ no caso, com motivos. André ousou reunir o que para os militares não passava de um elenco de subversivos: Caetano, Gil, Chico, Raul Seixas, Nara, Elis, entre outros. Pior. Quando alguns desses elementos perigosos foram obrigados a deixar o país, Midani desafiou a repressão e os manteve empregados e produzindo no exílio.
“Do vinil ao MP3” é uma espécie de Google da MPB moderna. Acesse “Midani” e vêm junto Tom, Vinícius, João Gilberto, Donato, o que há de melhor, com histórias saborosas. Como a do dirigente de uma companhia que jogou no chão o disco que André insistia que ele gravasse, xingando: “Isso é música de veado”!!!. O disco se chamava “Chega de saudade”. A policial mexicana errou por pouco. André era confiável. Só não era provável.

O texto acima, de autoria de Zuenir Ventura, retrata tão bem André Midani, que preferi reproduzi-lo para levar, à quem não conhece, um pouco dessa lenda da produção musical e do quanto temos que ser gratos por sua existência ( e insistência). O “Chega de saudade”, cujo nome do disco é o da música carro-chefe, eternizada nas vozes de João Gilberto, Tom, e também em nossas mentes, foi só um exemplo de que sua insistência valeu a pena e fomos beneficiados por ela.

Agora, um dos principais executivos da indústria fonográfica brasileira , que carrega na bagagem o mérito de ser responsável pelos três momentos ápices da música nacional – bossa nova, nos anos 60 , tropicalismo, nos anos 70, rock brasileiro, nos anos 80 – ganha voz ,em forma de documentário, que tá rolando esse mês, no canal GNT.

Midani e a turma do "jam session", que rolou no documentário.

Midani e a turma do “jam session”, que rolou no documentário.

“André Midani – Do vinil ao download”, é baseado em sua auto-biografia, já lançada em 2008, e com direção de Andrucha Waddington, promete encantar e enriquecer culturalmente quem assiste, com participações de músicos da melhor qualidade, como Marisa Monte, Gil, Baby do Brasil, Arnaldo Antunes,etc…bom papo e jam session, numa mistura que não tem como não ser boa, imperdível!!!

O livro ao qual a série se baseou.

O livro ao qual a série se baseou.

por Bel Soares

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